Erminio Souza e a geometria estilhaçada Insistir numa linguagem entre a construção e o expressionismo abstratos, como Ermínio faz, consiste em concentrar esforços numa pesquisa cujo objetivo é, cada vez mais, aproximar a arte visual da música, no sentido em que esta, não obstante a complexidade que assumam suas composições, baseia-se sempre na articulação de meros sete elementos de base.

Não é preciso afirmar que este empenho demanda uma perene e poderosa criatividade. Ermínio a possui, para ampliar seu repertório de formas em contraposição aos arranjos centrípetos. E ele se mostra jocoso em optar por partidos formais quase idênticos, em geral baseados em configurações mandalares ou de centros nodais. São raros os exercícios em que os vetores radiais dirigem-se a centros deslocados do centro geométrico da composição. Nestes, os novos nós, desprovidos de coroas completas de raios, movem-se em fugas ordenadas na direção das bordas da superfície trabalhada, obedecendo a ritmos astrais. A associação com o espaço cósmico é reforçada pelo tratamento cromático que o artista dá aos fundos, onde “poeira” de cores densas criam universos insondáveis. Vez por outra, diante destes mundos, esquadros entrelaçados mostram a gênese da ilusão tridimensional ao lado de enformações claramente planas, baseadas em linhas puras e áreas de cor chapada.

Os novos trabalhos de Ermínio tendem à descrição de um processo de estilhaçamento da geometria, diante da impossibilidade de uma construção rigorosa. Esta pesquisa formal ainda ocasiona um radical rompimento com a simetria que, quase exata, tem sido leit motif nas obras deste artista que também experimenta novas cores. São formulações cromáticas contrastantes entre extrema saturação e cinzas nebulosos ou azuis e rosas, organizadas de modo a mostrar que transparência e opacidade digladiam entre si num campo de forças em que planaridade e volumetria também se anulam uma à outra.

Fiel à “sua” linguagem, Ermínio continua, pois, realizando uma obra cujo acompanhamento tem sido de grande prazer estético e aprendizagem artística

Dr. Vicente Vitoriano
Crítico de Arte, Artista Plástico e Professor da UFRN

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